Brasil lidera a ascensão das criptomoedas na América Latina em 2025

O Brasil movimentou US$ 318.8 bilhões em criptomoedas entre 2024 e 2025, ocupando a 5ª posição global. Análise das regulamentações, taxas de adoção e crescimento institucional no principal país de criptomoedas da América Latina.
Crypto Rich
1 de dezembro de 2025
Conteúdo
O Brasil não está apenas participando da criptoeconomia. Está liderando a investida da América Latina.
O país registrou US$ 318.8 bilhões em transações com criptomoedas entre julho de 2024 e junho de 2025, quase um terço da atividade regional e um aumento de 109.9% em relação ao ano anterior. Globalmente, o Brasil agora ocupa a 5ª posição no Índice de Adoção de Criptomoedas de 2025 da Chainalysis, subindo da 10ª posição apenas doze meses antes.
Mas os números apenas sugerem o que está acontecendo na prática. Em cafeterias de São Paulo, os trabalhadores dividem a conta usando stablecoins atreladas ao dólar. Em vilarejos rurais, agricultores recebem pagamentos internacionais por meio de carteiras de criptomoedas vinculadas a Pix, o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil. Na Blockchain Rio 2025, milhares se reuniram para discutir não se as criptomoedas irão remodelar as finanças brasileiras, mas com que rapidez.
O que diferencia o Brasil é a convergência de fatores: adoção popular, clareza regulatória e investimento institucional, tudo acontecendo ao mesmo tempo. Poucos mercados emergentes construíram uma infraestrutura de criptomoedas que atenda simultaneamente aos fundos de Wall Street e à população sem acesso a serviços bancários.
Por que os brasileiros estão adotando as criptomoedas?
Os brasileiros não compram criptomoedas para ficarem ricos. Eles compram para proteger o que já possuem.
O Real tem apresentado volatilidade há anos, levando os cidadãos a buscarem ativos denominados em dólares. A inflação ainda mais acentuada da vizinha Argentina impulsionou toda a região em direção a alternativas ao dólar, mas a economia maior e a melhor infraestrutura do Brasil fizeram dele o centro natural.
Stablecoins Atualmente, as criptomoedas representam 90% das transações no país. As pessoas as utilizam para se proteger contra as oscilações cambiais, enviar dinheiro para o exterior e pagar por compras do dia a dia.
As estimativas de posse variam de 12% a 21% da população, ou cerca de 32 milhões de pessoas. Os homens entre 18 e 49 anos lideram a adoção, com 25%. As mulheres com mais de 50 anos representam 9%, acima da média global de 6.8% para essa faixa etária.
Com 88% de penetração da internet, a maioria dos brasileiros pode acessar criptomoedas com a mesma facilidade que acessa serviços bancários pelo celular. Mas a verdadeira história não está nas cidades.
Adoção em áreas rurais supera a de centros urbanos
São Paulo, a capital financeira, apresenta uma adoção de criptomoedas de apenas 8.7%. Nas áreas rurais, os índices são mais altos. Agricultores utilizam stablecoins para receber pagamentos de exportação, pagar fornecedores e preservar valor fora da volatilidade do Real.
Pix Isso torna tudo isso possível. O Banco Central lançou o sistema de pagamentos instantâneos em 2020, e as plataformas de criptomoedas rapidamente se conectaram a ele. Converter entre criptomoedas e moedas tradicionais agora leva segundos, não dias.
As conversas nas redes sociais refletem essa inclinação prática. Usuários brasileiros trocam dicas sobre estratégias para economizar dólares e debatem regras tributárias. A especulação fica em segundo plano, dando lugar à utilidade.
Quais são as regulamentações que regem o mercado de criptomoedas no Brasil?
O Brasil começou a construir seu marco legal para criptomoedas em 2022 e não parou desde então. O resultado é uma das estruturas regulatórias mais detalhadas da América Latina.
A Lei 14,478/2022, a Lei dos Ativos Virtuais, lançou as bases. Ela definiu as criptomoedas como ativos, colocou-as sob a supervisão do Banco Central e estabeleceu requisitos básicos para corretoras e provedores de serviços.
A Lei 14,754/2023 foi além, estendendo a regulamentação de valores mobiliários a ativos virtuais. Valores mobiliários e produtos de investimento tokenizados agora contam com diretrizes mais claras.
As reformas de novembro de 2025 tornam os requisitos mais rigorosos.
Em novembro de 2025, o Banco Central elevou o padrão. As novas regras que entrarão em vigor em fevereiro de 2026 incluem:
- Requisitos de capital de R$ 10.8 milhões a R$ 37.2 milhões, dependendo da atividade.
- Requisitos de verificação de reserva de stablecoin
- Padrões mais rigorosos de combate à lavagem de dinheiro
- Mandatos de proteção ao consumidor para plataformas de varejo
As resoluções também classificam as negociações de stablecoins como operações cambiais, o que pode acarretar impostos sobre operações cambiais. As taxas ainda estão em discussão. Isso pode favorecer participantes consolidados como a Mercado Bitcoin, ao mesmo tempo que cria barreiras para corretoras menores.
O DeCripto, o novo sistema de reporte de transações, foi formalizado pela IN 2.291/2025 em novembro de 2025. O reporte mensal obrigatório começa em julho de 2026, alinhando o Brasil ao Quadro de Reporte de Criptoativos (CARF) da OCDE.
Nem todos estão satisfeitos. Defensores da privacidade nas redes sociais consideram a tecnologia ponto a ponto uma "defesa da liberdade" e alertam que a vigilância mina o propósito fundamental das criptomoedas. Os participantes do setor argumentam o contrário: regras claras atraem investimentos institucionais e legitimidade.
Momento político pró-criptomoedas
Os políticos estão atentos. O deputado Jorge Seif propôs Bitcoin reservas para o tesouro nacional. Outros legisladores querem eliminar os impostos sobre ganhos de capital em certas transações com criptomoedas.
As regras do Brasil são mais rígidas do que as de alguns países, mas esse é o objetivo. As instituições precisam de segurança jurídica antes de emitir cheques.
Quais empresas lideram o ecossistema de criptomoedas no Brasil?
Plataformas nacionais e gigantes globais competem pelo mercado brasileiro. O resultado beneficia os usuários e impulsiona a inovação.
Mercado Bitcoin domina localmente
O Mercado Bitcoin é a maior plataforma de criptomoedas da América Latina. Seus 4.2 milhões de usuários têm acesso a mais de 650 ativos digitais. A exchange também lidera o Brasil em tokenização de ativos do mundo real e ocupa o 5º lugar global nessa categoria.
A base de clientes corporativos está crescendo rapidamente. Pequenas e médias empresas agora detêm de 10 a 15% dos ativos na plataforma, utilizando-a para gestão de tesouraria e pagamentos internacionais.
Instituições globais entram no mercado
Investidores internacionais enxergam oportunidades. O ETF de Bitcoin da BlackRock, o IBIT, atraiu um interesse institucional significativo, e a versão listada no Brasil, o IBIT39, capta capital de toda a América Latina.
Os bancos tradicionais também querem entrar na jogada. O Itaú BBA, braço de investimentos do maior banco do Brasil, liderou uma rodada de financiamento de US$ 210 milhões para a OranjeBTC, a primeira empresa financeira dedicada ao Bitcoin na região. Entre os investidores estão os gêmeos Winklevoss, o CEO da Blockstream, Adam Back, e o bilionário mexicano Ricardo Salinas.
Ativos tokenizados estão crescendo rapidamente.
Estima-se que o mercado de ativos tokenizados do Brasil ultrapasse US$ 4 bilhões, embora os valores variem dependendo da abrangência da definição de ativos ponderados pelo risco (RWA). Títulos, recebíveis e imóveis são negociados como tokens.
Finanças incorporadas Está a remodelar a forma como as pessoas acedem às criptomoedas em todo o mundo. O conceito é simples: bancos e fintechs integram as criptomoedas diretamente nas suas aplicações existentes, para que os clientes possam comprar, manter e gastar ativos digitais sem terem de mudar de plataforma. O Deutsche Bank e o De Nederlandsche Bank publicaram estudos sobre esta tendência. No Brasil, o Nubank, o Itaú e o Mercado Pago já oferecem esta integração. O setor atingiu os 14.16 mil milhões de dólares no Brasil em 2025, e as projeções globais apontam para biliões de dólares até 2030.
O Brasil concentra 62% do tráfego de mídias sociais relacionadas a criptomoedas na América Latina. As pessoas aqui não apenas usam criptomoedas, como também falam sobre elas.
Projeções de crescimento da tokenização
A tokenização global poderá atingir entre US$ 2 trilhões e US$ 16 trilhões até 2030. Essa é uma ampla faixa de valores, mas mesmo a estimativa mais baixa representa um crescimento expressivo. A vantagem regulatória do Brasil o coloca em uma posição privilegiada para conquistar uma fatia significativa desse mercado.
Algumas previsões chegam a projetar até US$ 30 trilhões em ativos tokenizados globalmente até 2030, com o Brasil como principal polo da América Latina.

Que eventos moldam a comunidade cripto do Brasil?
As conferências se tornaram campos de provas para as ambições do Brasil no setor de criptomoedas.
Blockchain Rio 2025 estabelece recordes regionais
O Blockchain Rio 2025 aconteceu nos dias 6 e 7 de agosto no Rio de Janeiro. O evento reuniu startups, instituições consolidadas e órgãos reguladores para dois dias de painéis e negociações.
Sessões abrangidas:
- Regulamentação e reservas de stablecoins
- Tokenização de ativos do mundo real
- Ethereum dimensionamento para casos de uso brasileiros
- Estratégias de conformidade para bolsas de valores
O evento atraiu desenvolvedores e empreendedores de toda a América Latina.
São Paulo surge como hub Web3
A BlockConfBR tomou conta de São Paulo em novembro de 2025. Apesar da menor adoção da tecnologia no varejo, a cidade está se tornando um polo de atração para startups de blockchain e talentos da área de tecnologia. A conferência reforçou a posição de São Paulo como a capital brasileira da Web3.
O que o futuro reserva para o mercado de criptomoedas no Brasil?
As condições estão favoráveis para o crescimento contínuo. Projetos de bancos centrais, parcerias internacionais e o momento político favorável apontam todos na mesma direção.
A CBDC da DREX enfrenta contratempos
A moeda digital do Banco Central do Brasil, DREX, enfrentou obstáculos. O projeto piloto apresentou problemas técnicos até 2025, e relatos em novembro sugeriram que a plataforma seria desativada em favor da integração de stablecoins. O lançamento completo ainda é incerto.
Propostas para reserva de Bitcoin ganham força
A existência de reservas soberanas de Bitcoin continua sendo um tema de debate acirrado. Outros países estão discutindo o mesmo assunto, o que oferece aos legisladores brasileiros precedentes para citar. A adoção dessa medida sinalizaria uma mudança fundamental na forma como o governo enxerga os ativos digitais.
Os riscos persistemGolpes, lacunas na educação do usuário e volatilidade ainda exigem atenção. Os órgãos reguladores em todo o mundo enfrentam o mesmo dilema: incentivar a inovação sem abandonar a proteção do consumidor.
Conclusão
O Brasil construiu o ecossistema de criptomoedas mais desenvolvido da América Latina por meio de um trabalho consistente de infraestrutura, não por meio de hype. A regulamentação de 2022 até novembro de 2025 fornece a base legal. Decripto Adiciona mecanismos de fiscalização.
O ecossistema agora abrange as duas pontas do mercado. Comunidades rurais protegem-se do risco cambial com stablecoins. Os produtos da BlackRock são negociados em bolsas brasileiras. O Mercado Bitcoin conecta milhões de pessoas a centenas de ativos, enquanto bancos como o Itaú BBA financiam empreendimentos com Bitcoin.
O Blockchain Rio conecta anualmente essas comunidades. BRICS As parcerias ampliam o alcance do Brasil para além da região. A tokenização posiciona o país para a próxima fase de crescimento dos ativos digitais.
Fontes
- Índice Global de Adoção de Criptomoedas Chainalysis 2025 - Metodologia e classificação por país
- Banco Central do Brasil - Resoluções regulatórias
- Mercado Bitcoin - Estatísticas da plataforma e dados de tokenização RWA
- Blockchain Rio - Cobertura de eventos e arquivos de sessões
- Laboratórios TRM - Análise de transações de criptomoedas na América Latina
- Forbes Brasil - Regulamentação e requisitos de reporte da DeCripto
- McKinsey - “Das ondulações às ondas: o poder transformador da tokenização de ativos”
Perguntas Frequentes
Qual a porcentagem de brasileiros que possuem criptomoedas?
As estimativas variam de 12% a 21%, aproximadamente 32 milhões de pessoas. Os homens mais jovens lideram a adoção, mas as mulheres com mais de 50 anos superam as médias globais para sua faixa etária.
Quais leis regulamentam as criptomoedas no Brasil?
A Lei de Ativos Virtuais (14,478/2022) colocou as criptomoedas sob a supervisão do Banco Central. As normas de novembro de 2025 exigem um capital de R$ 10.8 a 37.2 milhões para as exchanges, com vigência a partir de fevereiro de 2026.
Qual é a maior corretora de criptomoedas do Brasil?
O Mercado Bitcoin, com 4.2 milhões de usuários e mais de 650 ativos, também lidera a América Latina na tokenização de ativos do mundo real.
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Autor
Crypto RichRich pesquisa criptomoedas e tecnologia blockchain há oito anos e atua como analista sênior na BSCN desde sua fundação em 2020. Ele se concentra na análise fundamentalista de projetos e tokens de criptomoedas em estágio inicial e publicou relatórios de pesquisa aprofundados sobre mais de 200 protocolos emergentes. Rich também escreve sobre tendências tecnológicas e científicas mais amplas e mantém envolvimento ativo na comunidade de criptomoedas por meio do X/Twitter Spaces e de importantes eventos do setor.



















