A Argentina vai legalizar o pagamento de salários em Bitcoin? Veja como está a situação atual.

A Argentina não legalizou o pagamento de salários em Bitcoin. O Congresso removeu a exigência de carteiras de criptomoedas em fevereiro de 2026. Veja o que a lei realmente diz e o que acontece a seguir.
Soumen Datta
11 de março de 2026
Conteúdo
Apesar de relatos generalizados em contrário, a Argentina não legalizou o pagamento de salários em Bitcoin ou qualquer outra criptomoeda. Uma disposição que teria permitido depósitos de salários em carteiras digitais, incluindo carteiras de criptomoedas, foi removida da Lei de Modernização do Trabalho (Lei 27.802) antes que passasse.
Até março de 2026, a legislação argentina ainda exigia que os salários fossem depositados em contas bancárias convencionais.
O que realmente aconteceu com a lei 27.802?
Presidente Javier Milei assinado A Lei 27.802, de 6 de março, é uma ampla reforma trabalhista que altera a Lei do Contrato de Trabalho da Argentina e os regimes regulatórios correlatos. O governo a apresentou como um instrumento para reduzir litígios, diminuir os custos de contratação e integrar trabalhadores informais à economia formal. O Senado a aprovou com 42 votos a favor, 28 contra e duas abstenções.
A lei permite que os empregadores paguem salários em moeda estrangeira ou parcialmente em espécie, ou seja, alimentação, alojamento ou outros bens e serviços. Também permite que os contratos sejam renegociados com base em métricas de produtividade e metas de desempenho. Essas mudanças são reais e significativas.
O que não permite é o pagamento de salários em carteiras digitais ou contas de criptomoedas.
A disposição que não deu certo
O projeto de lei original incluía o Artigo 35, que permitiria o depósito de salários em carteiras digitais, abrindo caminho para o pagamento de salários via criptomoedas. O artigo foi removido em fevereiro de 2026 após forte pressão de associações bancárias tradicionais, que argumentaram que os provedores de carteiras digitais não possuíam as estruturas regulatórias e de supervisão necessárias para lidar com segurança com depósitos de salários.
Os legisladores aceitaram esse argumento e a disposição foi retirada da versão final do projeto de lei antes de sua aprovação. A exigência de que os salários sejam depositados em contas bancárias convencionais permanece em vigor.
Por que os bancos reagiram com tanta veemência?
A oposição do setor bancário foi direta e coordenada. Seu principal argumento era que os provedores de carteiras digitais, incluindo aqueles que lidam com criptomoedas, não operam sob as mesmas regulamentações prudenciais que os bancos licenciados. Sem uma supervisão equivalente, alegavam, o repasse de salários por meio dessas plataformas exporia os trabalhadores a riscos financeiros.
Essa posição reflete uma tensão mais ampla no sistema financeiro argentino, onde a adoção de carteiras digitais cresceu rapidamente, mas os marcos regulatórios não acompanharam esse ritmo. Plataformas fintech e aplicativos de criptomoedas são amplamente utilizados, mas se enquadram em uma categoria jurídica diferente da dos bancos comerciais, e essa distinção se mostrou decisiva quando a provisão salarial foi colocada em votação.
Qual é o futuro das criptomoedas na Argentina?
As criptomoedas são legais na Argentina. Os indivíduos podem comprar, vender e manter criptomoedas livremente, e podem usá-las para fins privados, não relacionados ao pagamento de salário.
O que não é permitido, pelo menos por enquanto, é o uso de criptomoedas ou carteiras digitais para depósitos salariais oficiais. Essa distinção é importante porque a legislação trabalhista argentina regula a forma como os salários devem ser pagos, e esse quadro ainda prevê apenas contas bancárias.
A adoção está aumentando, independentemente de tudo.
O fracasso do Artigo 35 não impediu os argentinos de integrarem criptomoedas em suas vidas financeiras por meio de outros canais. Quase todos os argentinos conseguiram. 30% dos argentinos possuía alguma forma de criptomoeda em 2024, e cerca de 60% do volume total de transações com criptomoedas no país envolvia criptomoedas. stablecoins como USDT e USDC.
A Argentina recebeu US$ 318.8 bilhões em valor de criptomoedas em 2025, com um crescimento próximo a 250% em relação ao ano anterior. O número médio de usuários mensais de criptomoedas foi quatro vezes maior do que durante o mercado de alta de 2021, de acordo com uma pesquisa. da empresa argentina de criptomoedas Lemon.
Grande parte desse crescimento não veio da especulação, mas do uso prático: empresas fintech argentinas conectado A stablecoin se integra ao sistema de pagamentos instantâneos PIX do Brasil, permitindo que turistas e empresas paguem em pesos enquanto o USDT liquida as transações nos bastidores. Essa integração, por si só, contribuiu para 5.4 milhões de downloads de aplicativos de criptomoedas na Argentina em 2025.
É provável que a Argentina legalize o pagamento de salários em criptomoedas no futuro?
O interesse é evidente. A adoção de carteiras digitais é alta, a desconfiança no sistema bancário tradicional é uma característica constante da cultura financeira argentina e a infraestrutura tecnológica para pagamentos de salários em criptomoedas já existe no mercado. O fracasso do Artigo 35 foi um revés legislativo, não uma posição política permanente.
O caminho mais provável envolve o tratamento regulatório dos provedores de carteiras digitais. Se as plataformas fintech e os custodiantes de criptomoedas puderem demonstrar conformidade com uma estrutura de supervisão comparável à dos bancos licenciados, a resistência política do setor bancário perde seu argumento mais forte. Diversas empresas fintech já estão pressionando exatamente por esse tipo de equivalência regulatória.
Por enquanto, porém, a exigência legal é clara: os salários devem ser depositados em contas bancárias.
Recursos
Reportagem do Buenos Aires HeraldPagamento em alimentos, alterações nos feriados e um sistema de banco de horas: governo apresenta projeto de reforma trabalhista
Reportagem do Buenos Aires TimesExplicação: Pontos-chave do pacote de reforma trabalhista recém-aprovado por Milei
Pesquisa realizada pela SignzyLeis sobre criptomoedas na Argentina em 2026: Visão geral e principais leis
Reportagem da CoinDeskRelatório mostra que o crescimento de usuários de criptomoedas na América Latina ultrapassará o dos EUA em 3 vezes em 2025.
- Reportagem da DL NewsFérias no Brasil superam a inflação como principal fator de adoção de criptomoedas na Argentina, segundo relatório.
Perguntas frequentes
A Lei 27.802 da Argentina torna obrigatório o pagamento de salários em criptomoedas?
Não. Uma disposição que permitiria o depósito de salários em carteiras digitais, incluindo carteiras de criptomoedas, foi removida da Lei de Modernização do Trabalho (Lei 27.802) em fevereiro de 2026, após oposição de associações bancárias. A legislação argentina ainda exige que os salários sejam pagos em contas bancárias convencionais.
Os empregadores argentinos podem pagar seus trabalhadores em moeda estrangeira de acordo com a Lei 27.802?
Sim, mas não por meio de carteiras de criptomoedas. A lei permite que os salários sejam denominados e pagos em moeda estrangeira como parte de um contrato de trabalho acordado. No entanto, como os depósitos salariais ainda devem ser feitos em contas bancárias licenciadas, a aplicação prática dessa disposição se aplica à moeda fiduciária estrangeira, não a criptomoedas.
Criptomoedas são legais na Argentina se não puderem ser usadas para pagamento de salários?
Sim. As criptomoedas são totalmente legais na Argentina para compra, venda, posse e uso em contratos privados, como contratos de locação comercial e de prestação de serviços. A restrição se aplica especificamente a depósitos salariais oficiais, que, de acordo com a legislação trabalhista, devem ser feitos por meio de contas bancárias convencionais. Transações privadas com criptomoedas e contratos não salariais não estão sujeitos a essa restrição.
Aviso Legal
Aviso Legal: As opiniões expressas neste artigo não representam necessariamente as opiniões da BSCN. As informações fornecidas neste artigo são apenas para fins educacionais e de entretenimento e não devem ser interpretadas como aconselhamento de investimento ou aconselhamento de qualquer tipo. A BSCN não assume nenhuma responsabilidade por quaisquer decisões de investimento tomadas com base nas informações fornecidas neste artigo. Se você acredita que o artigo deve ser alterado, entre em contato com a equipe da BSCN enviando um e-mail para conveyors.au@prok.com.
Autor
Soumen DattaSoumen é pesquisador de criptomoedas desde 2020 e possui mestrado em Física. Seus textos e pesquisas foram publicados em publicações como CryptoSlate e DailyCoin, além da BSCN. Suas áreas de foco incluem Bitcoin, DeFi e altcoins de alto potencial como Ethereum, Solana, XRP e Chainlink. Ele combina profundidade analítica com clareza jornalística para fornecer insights tanto para iniciantes quanto para leitores experientes de criptomoedas.
Últimas notícias criptográficas
Fique por dentro das últimas notícias e eventos sobre criptomoedas





















